Mesmo antes de partir, antes de ir, antes de deixar seus herdeiros, escreva...
Não se vá assim, ainda que já tenha deixado coisas marcantes, escreva...
Coloque um pensamento, uma piada sem jeito, mas inventada, atribuída ao mundo por você, uma idéia sem razão, escreva...
Antes de deixar seu amor, escreva... Escreva a ele... Deixe-o saber, escreva...
Tome o mural de recados do seu trabalho um dia, faça uma correspondência anônima para todos, escreva...
Prêmios são para campeões, não pense em ganhar nada, muito menos viver disso, somente, escreva...
Em suas declarações de afeto a alguém, feche os olhos, sairá torto, mas o coração tomará suas mãos, o sentimento seus dedos, então, escreva...
Para o bem ou não tão bem a alguns, por computador, caneta antiga, lápis de ponta fina, se importe não, faça, mostre, sem preocupação, escreva...
Hii! Que nada, deixem achar chato ou maravilhoso e incrível, guarde na gaveta por dois dias, mas imploro, escreva...
Preciso ler, necessito saber de você, aprender, ser seu sócio, te copiar, me revelar em ti, escreva...
Se achares que não tem dom, esqueça, não precisamos disso, não agora, isso acontece com o tempo, vem da escuridão da tinta borrada ou do clareamento do papel, pedindo, pedindo, escreva...
Faça isso por todos, desabroche o que tem aí junto a você preso na sua caixa de segredos, divida, deixe um pedaço aqui, uma resenha, uma estrofe, uma linha poética, dedique uma frase, uma carta simples, escreva...
Vamos estar aqui todos os dias, olhando, aguardando, ansiosos, não nos despreze, escreva aqui, escreva agora, escreva sempre...
Estou na aventura da escrita, você daí me julga, mais e daí? Bate uma vontade as vezes de escrever não é? Escreva...
Quando quiser ainda estarei embrenhado nesse meio por um tasco de hora, escrevendo, sobre bobagens, sobre saudades, sobre como pode ser bom escrever...eu de uma maneira ou outra daqui a pouco vou, mas quero antes ver suas mãos trabalharem, me ajude a viver fora da realidade com sua escrita, realidade é tão chata as vezes, escreva...
Podemos ir tão longe, e preciso ir tão longe, longe o bastante que posso carregar suas idéias debaixo do meu braço, mas ainda assim estarei longe. Se não por você, faça pelo sorriso, faça pela lágrima da emoção, faça por vontade de viver aquilo que está ali, em páginas, em letras, escreva...
TEXTO EM HOMENAGEM AOS QUE PENSAM QUE NÃO PODEM...
Tanto ouviu reclamação mas não tomou jeito, que mania feia, cisma antipática.
Bom de papo era cutuco, o sujeito tinha tudo que é assunto em sabido, sacava um pouco de cada coisa, não era muito de trabalho, então tinha tempo sobrando para aprender muito, inteligente o danado, porem chato...nossa como era chato. Engraçado, gostavam dele, mas o infeliz era chato, cutuco.
- Chegou ele.
- Opá! Tubo bem ? Vocês viram o que aconteceu hoje? Cutuco . Vou contar....
-Tá bom cutuco, mas para de tapinha nas costas por favor.
-Desculpe.
Cutuco era um cara que tinha a péssima mania de falar com a pessoa cutucando, a todo tempo era um cutuco, nas costas, no braço, sabe aquelas pessoas chatas assim?
- Oi cutuco!
- Obá! Lisa, eu fui ontem em um lugar que ía gostar...cutuco. Muito bacana, bebida boa, sambinha...cutuco.
- Cutuco! Dá um tempo! Hoje você tá demais, meu braço está doendo de tanto cutuco.
- Desculpe.
Com o passar do tempo essa mania não retardava, mesmo com controle cutuco não conseguia, cutucava toda hora. E pior, em algumas semanas adquiriu um hábito ainda pior. Falava cuspindo. Terrível.
- Gente o cutuco tá demais meu, gosto dele, bom de papo, amigo, mas agora cospe, até sem estar bebado, e cutuca a todo tempo, incomoda. Acretdita que apresentei na inocência uma amiga para ele, e ficava, "Hei..hei..cutuco...hei..cutuco", a menina foi embora para não meter a mão na cara dele. Como podemos ajudá-lo?
E cutuco não se dava conta do mal que estava fazendo a todos, até percebia a irritação de alguns, porem aquilo já era seu, tentou segurar a mão com elástico por um tempo, não deu certo, resolveu largar de mão, deixar tudo e cutucar. Assim que ele era e assim que iria ficar.
Um dos amigos teve a idéia de apresentar para ele o " mas hein?". Era o cara mais chato do meio, tanto que nem o cutuco conhecia o cara, mas hein? Tinha uma neurose, mania, tique, solavanco, não se sabe o nome certo, de tudo que se falava para ele, revidava com, mas hein? Era uma das manias mais irritantes julgadas pelo grupo.
Maurício! Esse é seu verdadeiro nome, mas hein? Choppinho Hoje? Mas Hein? Muito irritante era Maurício, mas Hein? Cutuco notou o afastar de alguns, não chamavam tanto para um papo, para aquelas rodinhas de Domingo, foi ficando esquecido. Tudo fazia parte da idéia, era a maneira encontrada para ajudar o velho cutuco.
Aniversário do bar de todas as melhores reuniões, tava todo mundo por lá, o dono, que considerava muito o cutuco o convidou, sem ninguém saber cutuco apareceu por lá, nesse dia foi planejado a apresentação dos dois, mas para mais tarde, primeiro queriam aproveitar a festa e o chopp, já tinham como idéia que iria ser um papo daqueles bem chatos entre eles, imaginem:
Mas hein? Aqui...cutuco de lá... Não dava, para os amigos isso já era muito , então diversão primeiro.
Como nem todas as idéias saem como esperado:
- Fala hein! Meu amigo de faculdade, quanto tempo...cutuco.
- Mas hein? Então cutuco, saudades suas cara, conhece essa galera?
- São meus amigos, cutuco...só galera boa...cutuco.
- Fico feliz em estar todo mundo junto, mas hein? Me conta como está?
- Assim...do mesmo jeito, cutuco, daquele jeito.Cutuco.
Os dois foram bem amigos e unidos nos tempos de estudo, ficaram assim somente por causa de uma briga entre eles. O cutuco, cutucou o mas hein? O mas hein? Que na época ainda era cago ficou irado com o cutuco, e por sua vez o cutuco irado com as mesmas perguntas. Ficarão de bem após terem que estudar na mesma sala e notarem que com suas manias atraiam a atenção de todos. Riam e se divertiam com tudo, levarão o símbolo de chatos de toda faculdade, mas eram assim...felizes..até agora, mesmo sendo chatos, gostavam de todos, eram bons camaradas, não faziam mal a ninguém, alías...cutuco...mas hein?
ESSE É UM CONTO SOBRE NÓS. QUEM NÃO TEM AQUELE VELHO AMIGO, QUE GOSTAMOS, GOSTAMOS MESMO, MAS É CHATO PRA CACETE COM SUAS MANIAS.
ALGUÉM CONHECE MAIS DE 1 ? SIM ( ) NÃO ( )
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Não sou de escrever artigos com acontecimentos recentes, salvo os casos que me mordem a emoção, ecoam tão fundo e choro, choro mesmo, não, não sou mesmo um jornalista que precisa hoje escrever uma idéia corrente sobre um fato nascido para manchetar amanhã em todas mídias possíveis, isso não é pra mim, não é minha vida, nem a sua, nesse caso:
Salvem-se, salvem-se... Por favor, por me fazer chorar, salvem-se. O que ví hoje, de tão perto, logo alí, do meu lado, machucou. Sei que muito infelizmente situações como a que ocorreu hoje na zona Oeste do Rio de Janeiro, são frequentes em outros países, Estados Unidos é o líder disso, porem está uma diferença aí, é assim, é humana essa diferença, são tipos de coisas que acontecem nos Estados Unidos, fica longe, é uma realidade fria que nosso controle remoto nos mantia separados, parecia.
O assassinato em massa na escola Tasso da Silveira, de várias crianças, adoslecentes, adultos feridos, jogou na sociedade Brasileira uma realidade distante, uma ruim e devastadora realidade de uma pessoa que pode ser um assassino natural, apenas alguém que precisava de muita ajuda, um ser humano perturbado, não se sabe ao certo, poderão surgir especulações diversas. O fato é que peço:
Salvem-se, sua alma, suas emoções, seu carinho, salve, resgate, o tempo que poderia fazer uma coisa melhor por ti ou alguém, salve, um salvo para um amigo, salvo para um perdão, devemos perdoar ele? Wellington Menezes ( assassino ), reflita sobre isso, mas salve você e outro todo ou quase todo dia.
O mundo está mudando para bem pior rápido demais, tão rápido que choro mais vezes, no entanto tenho que enxugar rápido as lágrimas e tentar dormir, compromissos me aguardam, as mães apenas aguardavam seus filhos no portão da escola...Gente, salve-se, escreva um história digna de herança, salve uma árvore, salve alguém de ter uma arma e doe para os militares, salve meu Deus aqui, ele, eu também, mas ele que nem conheço, somente o salve. Está doendo bastante esse acontecido, com toda certeza a proximidade colaborou demais, não importa, o que sim é salvar-se desse louco abismo que puxa e puxa...puxa...não quero mais ir, estou...Estamos assim, fartos. Mesmo que tenhamos a maior fé em todos nossos livros, Apocalipse, bíblias, livros espíritas, não sei, a dor, a sensação de fim, apavora. Prefiro por vezes pensar em fim próximo ao invés de achar que em cada novo dia mais um W.M pode estar atrás de mim, de minha filha, de nossos sorrisos intensos e interrompidos.
Salvem o que puderem obter breve, o melhor de tudo, de cada momento mesmo, de cada instante intenso, usufrua de sonhos e pare com uma realidade cruel, salve quem ama, salve os lugares de paz, salve o dia que se foi e pule o de hoje, assim ao menos eu não escreveria esse péssimo texto.
SALVE OS PEQUENOS BRASILEIRINHOS E BRASILEIRINHAS QUE SE FORAM
Outro dia chuvoso desse inverno que está fazendo no rio de janeiro, estava eu no centro da cidade, tentando retirar meu carro de um estacionamento caro, apertado e com poucas vagas, chuva, frio, sem guarda chuva pedi auxílio para o manobrista já que estava todo equipado para enfrentar os pingos gelados, olhei para um outro veículo e li sobre o seu adesivo , era um rosto com uma suposta imagem de Jesus e alguns dizeres, atrás de mim uma tv noticiava tanta tragédia que preferi ficar de costas e ouvi pouco sobre tais fatos, imaginei sobre aquela imagem do adesivo, o pensamento alavancou e foi mais longe, longe, a mim mesmo fiz uma pergunta: Por que não volta logo? Todos já leram ou sabem de histórias sobre esse Mártires do mundo, sacrifícios , ganhos e perdas do homem que mudou rumos de vidas.
Olhei de novo para imagem e pensei me questionando novamente: O que será que falta para seu retorno ? Respondi a mim mesmo como louco e transmiti a ele por pensamento, está vendo que o homem está fazendo a sí mesmo? Não precisa esperar mais, a espécie está no mais baixo nível de mudança para pior. Já dentro do carro, olhei pessoas tão mal tratadas nos dias quentes fará em um dia daquele, pensei em poder fazer alguma coisa para mudança, meu comodismo foi imparcial, passei e só fitei a situação, talvez, talvez, por culpa, tentarei alguma reação de ajuda na próxima vez . Será que ele foi assim? Emergia minha pergunta nova para aquele rosto no carro do estacionamento.
Se minha vontade de mudança fosse obstinada, hoje com o mundo que temos, na política, nos órgãos defensores, poderia fazer um toque de diferença, não estaria ouvindo aquelas notícias terríveis da tv em minhas costas, se ouvisse, meu travesseiro e eu saberíamos que minha parte estou fazendo. Não temeria ler jornal, nem de ir buscar aquele gostoso cachorro quente na esquina tarde da noite quando a insonia me bate, resabiado com a violência.
É chato pensar ao modo religioso se é verdade ou não que a salvação virá, daqui dos planeta dos homens sei que não sairá nada, de Brasília muito menos, quem sabe ainda nascerá alguém?... Bem... Não sei, pergunto ainda aquele rosto, pode me ajudar ?
TEXTO INSPIRADO NO CONTO DE QUEM AINDA ACREDITA OU DEIXOU DE ACREDITAR
Acontecimentos são aqueles que se resolvem por si só, são fatos que procuram vidas onde se encaixarem, vidas essas que procuram fatos e acontecimentos dispostos a conduzir sua felicidade, é encontrando em qualquer lugar, nos mais inusitados, nas vontades até os locais Dejavú, nos lugares onde nunca se passou antes, nos locais onde em 1 minuto era super estranho e após tornou-se sua moradia temporária talvez, porem naquele momento é eterna.
Acontecimentos se fazem necessário, em um "sub -encontro ", no encontro, nas lembranças, todo acontecimento surgi de uma realidade, acontece porque de alguma forma é procurada uma maneira de experimentar, de saber que ali naquela pessoa, daquele jeito, existe algo guardado para você, um olhar, uma nova sensação doce de ver o mundo, um beijo novo, um perfume inesquecível.
Acontecimento formou-se no momento do primeiro olhar ou do passar lado a lado, acontecimento forma-se de jeito singelo, nada querendo alem daquilo, porem esconde um grande segredo, o segredo que esperamos não ser revelado tão cedo, o segredo que queremos que não aconteça logo .
Acontecimento é produzido em cada nova história de pessoas, alguns são ótimos, longos, formados por duradouro tempo, em alguns outros não se estendem, param... Estrategicamente talvez, mas param , significando que a hora de acontecer uma saudade intensa chegou, de lembrar-se do toque delicado, de uma transa especial, em qualquer lugar, no carro vendo a lua, ao vento, depende. Acontecimentos forçam a surgir sentimentos, condições propícias, sem muita esperança de dar certo por vezes, tomam proporções gigantes sem sentido, sem controle, brigam com suas razões, conflitam-se com suas ideologias, machucam sua boca por falta de pingo da saliva de quem se quer naquele momento .
Acontecimento mal conduzido trás chateação quando não liberto, causa frustração de saber que aquilo que tanto te faz bem foi embora, que esse gosto que saborearia sempre acabou. O acontecimento não tem culpa , tenta fazer sua parte ... Somente não se sabe ao certo que parte é essa....
Acontecimento é a forma de querer estar ao lado ....
Acontecimento é a maneira de não esquecer o que passou ....
Acontecimento tomou conta de sentir o melhor do mundo ao seu lado .
A mulher caída na rua sem espelho, sem recurso, sem vontades, ainda não se sentia assim, preparada, preparada para nada estava, não se preparou para passar por aqueles momentos difíceis que parecem ser o fim, preparação alguma teve, nem conselhos, toques, tapa nas costas, nada...nada.
Não teve tempo algum, precisa ter, merecia ter, poderia ter, necessitava se preparar, estar pronta para o que tivesse que passar amenizaria tudo, se tivesse pronta, preparada.
A que momento essa mulher uma hora estará preparada? E o homem está? Onde se preparar para ter sempre um sorriso em casamento com pensamentos positivos? Quem faz essa preparação para o homem?
Estar preparado para cada ponto de acontecimentos é tarefa humana, mas sobre humana, é quase não possível, o homem e mulher precisam estar preparados para dor, se preparam para um futuro se acontecer, mas não se preparam para um futuro se não acontecer. Não estão preparados para uma vida sem defeitos, sem problemas, daquelas que pegamos em sonhos um tanto de cada uma pessoa e transformamos em nossos, somente os melhores, os perfeitos, não sem preparam ao menos para uma vida no paraíso ( terreno ou de Deus).
O homem não se vê assim sempre, preparado, nem para o choro, nem para felicidade plena, não se sente a frente do poder da preparação a qualquer coisa, todas as situações possíveis, a preparação exige dom, força Herculana para se sentir confiante, soberania.
Nenhuma preparação é suficiente ao suportar um ansiedade no emprego novo, uma nova vida com alguém depois de 2 casamentos, a reconciliação; preparada nunca está a mulher para perda de um filho, o rebelde não está preparado totalmente para o exílio, tão pouco a preparação norteia uma moça virgem no seu primeiro encontro. Nem os mais experientes estão totalmente preparados, atores com 20 anos de sucesso se sentem despreparados parcialmente a cada novo espetáculo, concurseiros estão sempre despreparados a cada nova prova, um acidente sempre abraça um motorista despreparado para o fato.
O ser humano é assim, emocionalmente despreparado, não tem como estar bem com tudo, em tudo, é o ser humano preparado de berço para sobreviver, e quando de verdade precisa sobreviver, não se sente preparado totalmente, falta alguma coisa, algo que lhe deixe seguro por total, isso acontece somente uma vez, é o lugar onde tudo foi preparado perfeitamente, ajustado a ser acolhedor, preparado para nos preparar, saímos assim de lá, preparados, nos despreparamos por nós mesmo depois, esse é o colo casto de mãe.
Hoje, amanhã e sempre, talvez seja do mesmo jeito, formas e valores, sim, valores, são grandes em comentários e atitudes, querido por muitos, adorado em grande proporcionalidade, Heróis ou bandidos da sociedade, dependendo de cada mão que obtenha, passam de pais para filhos e desses para netos, fogem de algumas famílias e são brasões em mentes evoluídas.
No típico Domingo de uma tarde, quando na inteligente escolha, segundo pensamento de Walter, resolveu passear no shopping center mais ou menos próximo de casa. Faceiro, no caminho avistou e decidiu torna-se companhia de certa distância de um casal a frente,passo a passo, iam eles curtindo uma boa conversa e namorando gostoso, até ficou feliz com a cena, devido a proximidade, escutou o papo e apanhou os detalhes :
-Amor, me empresta o seu Nextel ?
-Pra que ? cadê o celular que te dei de presente ?
-Tá aqui, mas o seu é mais menor e dá para tirar uma onda no shopping com Nextel.
-Tá maneiro, mas não perde, amanhã vou esculachar os parceiros do trabalho com ele !
Fim do primeiro ato, um beijo ardente e caminhos felizes para o templo capitalista. Walter Parou, refletiu e resolveu, para não participar mais daquilo, mesmo perto de casa, pegar um tranquilo ônibus, mas mal sabia que seria uma triste viagem, não por causa de assaltos ou o alto preço da passagem para um lugar tão perto de casa, e sim pelo fato da conversa ao lado :
-Meu irmão , esse relógio échow ,
-Peguei ele numa fitinha boa, se liga só, com esse doze mola no pé, as mulhé no baile vão fica como?!
-É mermo, já é então!
No início da troca de informações dos parceiros de banco do coletivo, a cada frase Walter revirava seu dicionário e tentava achar as palavras e dialetos que estavam dizendo, depois de tempos, a duras penas, foram se formando as junções de letras e Walter decifrou o mais novo alfabeto da língua portuguesa, como não estava com vontade de aprender sobre novos idiomas, tirou seu pensamento dos amigos e tentou se concentrar na janela e na paisagem que contemplava.
Ao parar do ônibus no farol de trânsito, escutou um som grave e alto abaixo de sua janela, colocou seu pescoço para fora de modo que pudesse avistar de onde estava ecoando tal barulho ou pior, quem era o louco que escutava uma música nesse volume, para sua surpresa e admiração, eram dois jovens, de espanto não porque eram jovens, mas sim porque a juventude era muita, provavelmente não tinha o motorista, nem carta de habilitação e dirigindo um carrão daquele, estilo aquele de fórmula 1, com suas capotas abaixadas e olhos digitais acariciando e beijando o couro que parecia ser tão macio. Enquanto isso chegou perto de onde Walter iria descer, e a potência sonora lhe abandonou os ouvidos, aliviou-se por um instante, e logo a conversa:
-Essa máquina mudou minha vida, agora aonde chego sou notado, fiquei popular na faculdade, peguei várias gatinhas na praia, me tornei até inteligente, falando sobre as peças do carango que são em inglês, sem esse carro eu não sou ninguém!
Sem tentar dar comentário ou julgamento para o jovem, por mais que seu consciente quase obrigasse, Walter forçou-se ao caminho do bendito shopping, estava disposto e certo que lá estaria à vontade, um sorvetinho, pipoca, churros, o plano tomava rumo e sentido como ele queria. Sem mesmo saber o motivo ficou curioso sobre a agitação de certa loja ou loja incerta na chegada ao shopping, foi avaliar a caráter de espiador para saber o que acontecia.
As mãos se embaralhavam para pedir um pouco de espaço, a vitrine embaçava devido às respirações serem tão próximas, pensou Walter: “O que era aquilo”? Logo acabou sabendo, o produto cabia na palma da mão, falava vinte e dois idiomas, mostrava filmes, jogos, agenda, tocava música...
O cômico era os pareceres dos doutores (Microsoft):
-Eu com um desse não ia nem precisar de amigos e namoradas, baixava as fotos pela net e me acabava, entrava no bate-papo e conversava direto.
-É assim não ia nem sair do meu quarto para almoçar e jantar com a mãe e o pai chato.
-Fingia que ia estudar e ficava jogando...
-Sacava um dinheiro da conta do pai!
-Quer saber mané? Sabe quando tu vai Ter uma parada dessa? Nuunca parceiro!
-Dá até vontade de mete (roubar) um.
Diante da conversa “contagiante”, Walter já estava no seu limite, já chegava, o melhor a fazer era ir pra cama, dormir um pouco e esquecer até do sorvetinho e a pipoca, se apreçou para saída, e como um corredor bem próximo da linha de campeão....A loja, a última ou primeira, depende de qual lado você venha do shopping, tênis e mais tênis, rodando em cores e amortecedores sem utilidade, bem no seu caminho, lotada de desejos oculares, bolsos vazios e cartões de crédito estourados, fim de mês é uma desgrama. Passos seus foram desacelerando, quase parando, parou, na linha da porta de entrada da loja, ostentou, ostentou... Pensou: “Já que voltarei andando para casa, talvez com um novo tênis, fico parecendo um atleta quem sabe?” “Posso, se der sorte, arrumar uma namorada por aí, elas gostam de um cara na moda, bem arrumado, e tem uma bolsa ali na promoção, já posso dar um presente, ganho a gata”.
Walter passou daquele momento, de uma cara comum a um novo cliente do Sr. Ostentação, seu afiliados, comércios, precisam disso, de novos caras, com novas vontades, não saindo para comprar, e comprando mais do que necessitavam talvez.
O nosso mundo é assim, sustentamos a ostentação por alguém e para alguém, Walter sou eu e tu, agora não sou Walter, mas vou terminar por aqui, pois a senha do meu cartão de crédito chegou e tem uma promoção ótima...